O que fazer se você descobrir que seu filho está usando drogas
Em primeiro lugar, tenha em mente que não existem soluções imediatas em casos como este. Soluções apressadas podem piorar a situação. Tampouco parta do princípio que seu filho é um usuário crônico. Ele pode ter começado há pouco tempo e ser ainda um usuário recreacional; tratá-lo como dependente torna tudo mais difícil. Para melhor compreendimento, elaboramos uma descrição dos quatro principais estágios do uso de drogas, que dependendo do usuário e da droga utilizada, podem levar de algumas semanas (caso do crack, por exemplo) a alguns anos (álcool) para atingir o último estágio. Vejamos:
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O primeiro contato - É o início do uso da droga. Como já foi dito, um conhecido ou mesmo um amigo oferecem-na para ele. Jovens que medem pouco as conseqüências de seus atos e que se apóiam em demasia no grupo têm maiores dificuldades em dizer não, mesmo às coisas que consideram incorretas.
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A peridiocidade do uso - A droga já está instalada na vida do jovem. Uma vez por mês, a cada quinze dias ou semanalmente, ele a utiliza para ir a festas, encontrar-se com a namorada, nos encontros com a turma, etc. Neste estágio já se notam mudanças bruscas no comportamento e no humor, quedas no rendimento escolar e afastamento da família.
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A ditadura da droga - O jovem começa a escolher suas companhias e os lugares que irá freqüentar por causa da droga. Não sairá com fulano ou beltrano porque estes são caretas, deixará de ir aos lugares onde não poderá utilizar a droga. As companhias dele não são mais as mesmas, e mesmo os amigos mais antigos deixam de ser procurados. Gastos excessivos são comuns nesta fase, onde o jovem solicita quantias sucessivas de dinheiro. Se, ao contrário, estiver sempre com muito dinheiro de fonte não identificada, ele poderá estar vendendo drogas.
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Viver para drogar-se, drogar-se para viver. Esta é a fase final. Nada mais importa, a não ser a droga. Objetos de valor e dinheiro somem de casa. A vida do jovem transforma-se num pesadelo: não estuda, não trabalha, acidentes freqüentes no trânsito, brigas constantes com a família. Tornou-se um usuário crônico.
Considera-se que o abuso de drogas não pode ser definido apenas em função da quantidade e freqüência de uso. O questionário abaixo foi formulado baseando-se em diretrizes formuladas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Se corretamente respondido pelo usuário, pode auxiliar a identificar se ele é dependente ou não.
Nos últimos doze meses:
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Você teve forte desejo ou compulsão de consumir drogas? ( ) Sim ( ) Não
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Teve consciência que você tem dificuldades para controlar seu consumo de drogas? ( ) Sim ( ) Não
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Você utilizou conscientemente outras substâncias psicoativas (como calmantes, por exemplo) para diminuir os sintomas de abstinência do uso de drogas? ( ) Sim ( ) Não
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Teve qualquer sintoma orgânico (suor, tremores, fraqueza, náuseas, etc.) por não usar a droga? ( ) Sim ( ) Não
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Você tem utilizado doses cada vez maiores para alcançar os mesmos efeitos?
- ( ) Sim ( ) Não
- Tem consumido drogas mesmo em ambientes que não sejam adequados para isso, a qualquer hora ou ainda sem motivos especiais?
( ) Sim ( ) Não
- Tem negligenciado outros prazeres ou interesses (sexo, família, trabalho, estudos, etc.) por causa de seu consumo de drogas?
( ) Sim ( ) Não
- Tem persistido no consumo de drogas, mesmo depois de perceber que elas estão te causando problemas?
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( ) Sim ( ) Não
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Já tentou parar de usar por algum tempo e depois voltou a consumir da mesma forma que antes? ( ) Sim ( ) Não
Se pelo menos três dessas respostas foram positivas, a pessoa pode ser considerada dependente, devendo passar pela avaliação de um profissional em dependência química para confirmação ou não deste quadro.
É necessário também livrar-se do preconceito que cerca este assunto. A dependência é uma doença que deve ser tratada como qualquer outra, procurando-se o tratamento mais indicado para o caso. Abordar o problema assim que ele for detectado reduz a possibilidade de que ele tome proporções ainda maiores, como as doenças decorrentes do uso de drogas, iniciando o processo de recuperação física e mental. Ao sentir a preocupação e o interesse dos familiares, o usuário sentir-se-a mais seguro para enfrentar sua dependência. Algumas famílias de dependentes não querem admitir que um dos seus está utilizando-se de drogas por maiores que sejam as evidências. Este é um erro terrível que alimenta ainda mais a doença, criando situações muitas vezes insuportáveis dentro de casa.
Seguem dez conselhos elaborados pelo Dr. José Elias Murad:
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Não dramatize o fato. Encare-o com realismo e objetividade. Discuta-o com seu cônjuge ou com alguém de muita confiança. Lamúrias, autopiedade, recriminações, agressividade e violência não ajudam em nada.
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Procure ter certeza de que o fato está realmente acontecendo. Faça isto através da observação minuciosa do comportamento de seu filho.
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Tenha uma conversa franca com seu filho. Procure colocá-lo bem à vontade, a fim de descobrir a verdade.
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Tente descobrir há quanto tempo, quais e com que freqüência ele está utilizando drogas. Estes dados são importantíssimos para serem fornecidos, no futuro, ao especialista que irá ajudá-lo.
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Procure descobrir as razões que levaram seu filho ao uso de drogas. A família em conjunto e de comum acordo poderá resolvê-las ou minimizá-las.
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Não estigmatize seu filho. Chamá-lo de maconheiro, drogado ou marginal só vai piorar a situação. Também não ameace expulsá-lo de casa ou mesmo interná-lo.
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Nunca fique recriminando-se ou procurando culpados. Perguntas como onde foi que falhamos? não ajudam em nada. Lembre-se: não existe vacina contra as drogas, qualquer pessoa pode tornar-se um dependente, sem distinção de sua classe social, econômica ou cultural.
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Converse com seu médico de confiança a respeito do assunto. Peça-lhe orientação, principalmente sobre clínicas e serviços especializados, a fim de encaminhar seu filho para o tratamento e recuperação adequados.
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Procure dar ao seu filho o apoio que ele tanto precisa nesta hora. Não basta oferecer-lhe a assistência de um médico, psiquiatra ou psicólogo. É preciso que toda a família se envolva no processo terapêutico. Chegou a hora de mostrar a seu filho que seus melhores amigos estão dentro de casa.
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Lembre-se: amor, carinho e diálogo são as melhores armas para se combater as drogas. Use-as com sabedoria: amar também é saber dizer não.
É necessário que a família entenda que, algumas vezes, os dependentes criam um mundo de fantasias ao seu redor, tornando difícil a tarefa de separar o que é verdade do que não é. Especialmente nestes casos a ajuda de um profissional da área é importante para orientar os familiares. Algumas destas fantasias são comuns a vários casos; com freqüência o jovem usuário de drogas diz que não pode largá-las sem sofrer algum tipo de punição por parte dos traficantes, até mesmo ameaças de morte. Na quase totalidade dos casos isto não passa de um mito, talvez forjado para prolongar um pouco mais o uso de drogas. Em outros casos, o usuário pede dinheiro para quitar dívidas com traficantes. Não dê, na maioria das vezes este dinheiro é utilizado para comprar mais droga. Se ele realmente estiver sofrendo ameaças (telefonemas, bilhetes, etc.), tire-o de circulação durante algum tempo, enviando-o para a casa de parentes ou, se for o caso, internando-o.
Como foi dito, a ajuda profissional é importantíssima no enfrentamento da dependência. Existem hoje remédios muito eficazes para ajudar o usuário de drogas a livrar-se da dependência física, mas que não devem ser tomados sem orientação especializada. Álcool, heroína, barbitúricos e benzodiazepínicos são alguns exemplos. Outras drogas como maconha e cocaína não causam dependência física, mas a dependência psicológica (que existe para todas as drogas) leva a pessoa a consumi-las novamente, e é por este motivo que a continuidade do tratamento é tão importante. Deixar de beber durante algum tempo, por exemplo, pode levar o dependente a considerar-se curado e experimentar uma dose apenas, que na maioria das vezes é a primeira de uma grande recaída.
Vários tipos de profissionais foram citados até agora sem que fosse explicado exatamente como eles atuam e o que fazem. Para sua melhor compreensão, segue uma lista com a explicação sobre cada tipo de especialista que tratam de problemas relacionados com a mente humana, elaborada pelo Dr. Germano Vollmer, do Instituto de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA):
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Terapeuta. Termo genérico que pode ser aplicado a psicólogos, psiquiatras, psicanalistas e assistentes sociais.
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Psicólogos. Têm a formação orientada para os aspectos psicossociais. São formados em psicologia e não receitam tratamentos biológicos (medicação e outras técnicas terapêuticas).
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Psiquiatras. Tratam quase todas as perturbações mentais e adotam tanto os métodos psicológicos quanto os biológicos. São diplomados em medicina e fazem residência com especialização em psiquiatria.
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Psicanalistas (ou analistas). Embora não desprezem a realidade factual, os analistas dão ênfase ao entendimento da realidade psíquica dos pacientes. Não costumam receitar medicamentos, preferindo associar o tratamento psicanalítico ao psiquiátrico quando houver necessidade. A formação varia de acordo com a entidade onde são formados.
Enfim, a família tem um papel de destaque no processo de recuperação do dependente, buscando impedir que o problema avance e auxiliando no tratamento mais adequado para a situação. Em alguns casos, isto torna-se particularmente difícil pela fragilidade com que todos os seus membros chegam neste ponto. Ter um usuário de drogas dentro de casa pode causar sérios desajustes no ambiente familiar, abalando os relacionamentos e aumentando as hostilidades. Por este motivo é fundamental que os familiares também procurem ajuda profissional simultaneamente com o dependente. A possibilidade de sucesso aumenta significativamente, funcionando ainda como suporte psicológico para o usuário.
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