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O fascínio que o tema drogas vem despertando na sociedade brasileira nos dias atuais não tem paralelo em nossa história. Tratado de maneira sensacionalista pela grande imprensa, a todo momento estão no ar reportagens sobre grandes apreensões de cocaína, a guerra do narcotráfico no Rio de Janeiro, a discussão sobre a legalização da maconha, o crack que destrói a vida dos meninos de rua em São Paulo. Um dos aspectos desta questão porém foi relegado a um plano bem inferior a todos os outros: a prevenção ao uso de drogas.

Prevenção não vende jornais, não aumenta os índices de audiência das grandes emissoras de televisão, não dá votos. Faz parte dos objetivos de todos os Conselhos de Entorpecentes do país, sejam eles municipais, estaduais ou federal, mas raras são as vezes em que as palavras elaboradas no papel transformam-se em ações. Até mesmo os livros sobre drogas evitam ou são reticentes quando o assunto é prevenção. Enquanto isto, pais e professores ficam entregues a sua própria sorte, tentando atenuar o impacto que o tema causa nos jovens.

Para fazermos uma introdução sobre prevenção, escolhemos um texto cuja base foi extraída de um livreto da ABRAÇO - Associação Brasileira Comunitária e de Pais para a Prevenção do Abuso de Drogas, intitulado “Como a comunidade e os pais devem atuar no combate ao uso de drogas”, que segue abaixo:

Abordagem precoce - Uma escritora americana, Peggy Mann, escreveu um livro antológico, cujo título no original é Twelve is too old (Doze anos já é tarde). Segundo a autora, deve-se começar a educar sobre as drogas mesmo as crianças de 9, 10 e 11 anos. As melhores escolas do país trabalham questões como sexo e drogas logo nas 5as séries. Quanto mais cedo for iniciado o ensino, melhor.

Programas educativos - Colaborar para estabelecer programas educativos permanentes sobre drogas nas escolas, ou mesmo fora delas. Tais programas devem ser destinados a crianças, adolescentes, jovens e adultos. Esses programas devem visar, inicialmente, à capacidade humana no setor, isto é, antes de educar nossos filhos, precisamos educar pais e mestres. É necessário formar multiplicadores para tal trabalho educativo.

  1. Mobilização da comunidade - Mobilizar a comunidade para participar do projeto. Cada pai ou líder comunitário deve empenhar-se para a execução dos debates e palestras sobre o assunto, principalmente aqueles que visam a orientação de leigos.
  2. Levantamentos estatísticos - Levantar a extensão do problema. A aplicação de questionários sigilosos, após palestras, conferências, cursos e aulas sobre drogas é uma boa medida. Os questionários devem ser preparados por especialistas neutros que não estejam envolvidos com o programa, para se evitar erros ou omissões e devem ser feitos de maneira a preservar rigorosamente o anonimato. Não devem ser aplicados aleatoriamente, mas após orientações corretas e adequadas do público alvo, procurando-se captar sua confiança para se obter respostas sinceras e confiáveis.
  3. Oferta de novas atividades - Ampliar e diversificar as oportunidades, promovendo ocupações e lazer onde a droga não tenha lugar. Nesse sentido é importante oferecer uma gama variada de atividades desportivas, recreativas, culturais, científicas, serviços à comunidade e outros. Estimular a imaginação criadora das crianças, adolescentes e jovens, apoiando-os nessas iniciativas, é outra excelente opção.
  4. Estabelecimento de metas - Estabelecer metas realistas e humanamente viáveis. Por exemplo, pode-se estabelecer como uma das metas o uso correto dos tranqüilizantes sob orientação médica, como armas terapêuticas valiosas nos casos em que são bem indicados, e não querer eliminá-los simplesmente da terapêutica. Outro exemplo é lutar para que os pais não ofereçam bebidas alcoólicas ou cigarros aos seus filhos, e não querer torná-los (os pais) totalmente abstêmios.
  5. Incentivo à formação de profissionais - Arregimentar (nos programas ou campanhas de prevenção) profissionais com formação especializada (médicos generalistas, psiquiatras, psicofarmacologistas, psicólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, bioquímicos) ou pessoas com habilitação básica em saúde, educação, serviço social e áreas afins. É importante salientar que deve ser utilizada uma linguagem próxima do público alvo.
  6. Cursos de preparação - Organizar cursos de extensão, congressos, seminários, simpósios, cursos de férias, cursos de especialização e outros nas diferentes áreas do abuso de drogas, a fim de preparar multiplicadores e adquirir recursos humanos no setor.
  7. Estabelecimento de programas - Estabelecer com realismo os programas a serem cumpridos de modo que possam atingir realmente a população alvo. Por exemplo, não podem ser idênticos programas destinados aos menores de rua (onde o uso mais comum é o de solventes voláteis - cola de sapateiro, cheirinho da loló e outros) e programas dirigidos aos alunos de escolas particulares (onde geralmente é mais comum maconha e anfetaminas, e algumas vezes a cocaína). Isto sem falar nas profundas diferenças sócio econômicas dessas populações alvo.
  8. Mobilização da opinião pública - Mobilizar a opinião pública através de encontros, jornadas, seminários, concursos de slogans, cartazes, temas, frases, mensagens. Principalmente junto aos jovens. O objetivo de tais empreendimentos é destacar a gravidade do problema e retratar suas repercussões no meio social.

Esta tipo de prevenção é tecnicamente chamada de prevenção primária, e segundo a Proposta para uma Política Nacional de Drogas, elaborada pelo Conselho Federal de Entorpecentes em 1992, tem a finalidade de:

  • antecipar-se ao início da experiência do uso de drogas, experiência essa - vivenciada em diferentes planos - do grupo familiar, da comunidade escolar, do meio profissional e do virtual usuário;
  • atalhar o aprofundamento do “uso experimental”;
  • evitar problemas decorrentes do uso de drogas; o abuso e a dependência, que são efeitos “primários”, e os efeitos “secundários”.

Antes de continuar, vamos conhecer os fatores de risco que a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu para considerar uma pessoa mais propensa ao uso de drogas:

  • sem adequadas informações sobre os efeitos das drogas;
  • com uma saúde deficiente;
  • insatisfeita com sua qualidade de vida;
  • com personalidade deficientemente integrada;
  • com fácil acesso às drogas.

Em contrapartida, a pessoa com menor possibilidade de utilizar drogas seria aquela:

  • bem informada;
  • com boa saúde;
  • com qualidade de vida satisfatória;
  • bem integrada na família e na sociedade;
  • com difícil acesso às drogas.

Nos links abaixo, vamos analisar a prevenção nos locais onde ela pode surtir melhor efeito para que o problema não se instale: em casa, na escola e no trabalho. Dicas práticas e experiências bem sucedidas serão relatadas para que você construa sua própria maneira de exercê-la. Entretanto, é preciso ficar claro desde já que para que a prevenção tenha eficácia, é necessário tratar o tema sem radicalismos, cercando-se de todas as informações possíveis e observando a realidade do público a quem você está se dirigindo.

        A prevenção em casa
        A prevenção na escola
        A prevenção nas empresas


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